HIGHLIGHTS SOGESP 2019: Os riscos da contracepção hormonal são superdimensionados?

 

Tema que trouxe a tona o impacto que as redes sociais e a mídia imprimem no comportamento da paciente quando trazem matérias sobre os aspectos negativos do uso dos contraceptivos hormonais: trombose, risco de câncer de mama, alterações de humor, impacto na libido, alteração no ganho de massa muscular.

Em contrapartida o questionamento: as mulheres têm medo de hormônios? Fica uma situação ambígua quando, em um braço, temos pacientes que se recusam a usar contraceptivos hormonais em busca de uma “via natural, livre de hormônios”; em outro, usuárias de chip de testosterona ou “chip da beleza”, onde são ministradas doses e formulações de hormônios sem respaldo em literatura ou das sociedades médicas, justificadas pela busca de um corpo definido e maior disposição.

O médico tem papel central para desmistificar os dados fornecidos pela mídia e simplificar as evidências científicas sólidas que temos disponíveis.

Tal papel fica bem claro quando observamos o resultado do estudo Bonassi (2014) em que as pacientes recebem informações sobre o risco de trombose associado ao uso de contraceptivos hormonais orais de três formas: Risco Relativo, Absoluto e Atribuível.

1- No caso do Risco Absoluto para Trombose Venosa Profunda (TVP) em usuária de Contraceptivo Oral Combinado (COC), o risco seria de 8 em 10.000 mulheres/ano e o risco para TVP em idade reprodutiva, 4/10.000 mulheres/ano. O risco de TVP associado ao COC é preocupante? Aproximadamente 70% mostraram preocupação, achando o valor significativo.

2- No caso do Risco Relativo para TVP em usuárias de COC, comparado ao risco em não usuárias, o valor seria 2 vezes maior. Preocupa? Em torno de 60% discordava.

3- Com relação ao Risco Atribuível, a conclusão seria a ocorrência de 4 casos extras em 10.000 mulheres/ano. Preocupa? Quase 80% discordou da afirmação.

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A relação médico-paciente deve ser baseada em informações precisas baseadas em evidências, com uma interpretação correta e uma tradução acessível, sendo o Risco Absoluto e Atribuível a maneira mais clara para o público leigo; mas o Risco Relativo aparece com maior frequência nos estudos científicos. O médico deve “traduzir” essa informação, evitando falsos percentuais de aumento de risco, e informando a real incidência da doença.

Foi mencionado um aplicativo gratuito disponível para download que indica, de acordo com as informações da paciente, os métodos contraceptivos mais recomendados para cada perfil de paciente.

Para fazer o download, acesse o link abaixo:

iContraception

Aula ministrada pelo Dr. Rogério Bonassi Machado e conteúdo comentado pela Dra. Ana Carolina Gabina Lazari

Referências: MACHADO, Rogério Bonassi et al. Effect of information on the perception of users and prospective users of combined oral contraceptives regarding the risk of venous thromboembolism. Gynecological Endocrinology, v. 31, n. 1, p. 57-60, 2015.